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Doutorando em Ciências da Religião (PUC-GO), Mestre em Ciências da Religião (PUC-GO), Licenciatura em Pedagogia (UVA-CE), História (UVA-CE), Matemática (UNIFAN-GO) e Bacharel em Teologia (FACETEN-Ro). Professor de Metodologia do Ensino da Matemática; Metodologia do Ensino das Ciências Naturais; Educação e Cultura; Fundamentos Epistemológicos da Educação e Educação, Sociedade e Meio Ambiente, Filosofia, Ética, Ciências Políticas (FANAP).

terça-feira, 23 de setembro de 2008

I- DAS ESCRITURAS SAGRADAS

(Parágrafo 1) "Ainda que a luz da natureza e as obras da providência manifestem de tal modo a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, todavia não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e de sua vontade, necessário à salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna a Escritura Sagrada indispensável, tendo cessado aqueles antigos modos de Deus revelar a sua vontade ao seu povo."

DESTE PRIMEIRO CAPÍTULO APRENDEMOS

....................a. A natureza revela a realidade maior da existência de Deus e de seus atributos. Todo o sistema (físico, biológico, espiritual, etc) no qual o cosmo está interligado em todas as sua partes, proclama em viva voz a existência de um Ser Supremo, Criador de todas as coisas e em cuja expressão de seu Ser, na criação, apresenta-se como sendo: infinito, poderoso, pessoal, inteligente, amoroso, providente, santo, justo, etc (Sl 19; Rm 1:18-25).
....................b. A Natureza, como meio revelacional, foi suficiente para revelar Deus ao homem, somente no Édem, pois nossos primeiros pais se relacionavam com Ele tendo como base a realidade de um Soberano Criador que exigia deles a adoração sincera e perfeita obediência (Gn 2:16,17). Tudo o que Adão e Eva necessitavam saber para cultuar a Deus, eles podiam aprender na criação ao seu redor e através da palavra divina no pacto das obras (Gn 2:16,17).
....................c. Hoje, a natureza não é suficiente para dar ao homem todo conhecimento necessário para que ele bem se relacione com Deus; uma vez que o pecado acrescentou ao relacionemento entre a criatura e o Criador uma outra necessidade: a consciência de seu pecado e a necessidade de um salvador (I Co 1:21; I Co 2:9-14; Gl 1:11,12).
....................d. Hoje, a função da natureza, como meio revelacional, é simplesmente tornar os homem indescupáveis diante da perfeita justiça de Deus, o qual há de julgar vivos e mortos (Rm 1:18-32; Rm 2:14-16; Rm 3:9-19).
....................e. Sendo Deus todo misericórdia, em sua graça Ele não permitiu que a humanidade ficasse sem aquele conhecimento necessário à salvação (Gn 3:15). Ele, na história da humanidade, revelou-se a santos homens (Hb 1:1,2; II Pe 1:21) e deu-lhes não somente a ciência de sua perfeita vontade (II Pe 1:20,21), mas também a tarefa de, por inspiração infalível, registar às outras gerações a sua verdadeira vontade (II Tm 3:14-17).
....................f. Sendo Deus conhecedor da maldade humana (Mt 15:1-9; II Pe 3:15-18), das astúcias de Satanás (Mt 4:1-10)e da corrupção do mundo, decretou o registro escrito daquela sua vontade para a salvação dos homens (II Tm 3:14-17), a fim de que a sua perfeita vontade não fosse objeto de deturpação, corrupção, esquecimento ou, até mesmo, aniquilamento. Esta revelação escrita é denominada de: Bíblia, Palavra de Deus, Sagradas Escrituras, Escrituras.
....................g. Todo verdadeiro conhecimento que o homem precisa ter para bem se relacionar com Deus e ser salvo está registrado na Bíblia (Rm 15:4; Lc 16:29-31). Ela é a perfeita revelação de Deus (Sl 19; II Tm 3:16,17), nada lhe falta (Ap 22:18,19). Todos os demais livros, tateam no escuro da religiosidade humana pois são expressões da mente humana a respeito daquilo que é espiritual. já a Bíblia é a revelação direta de Deus aos homens, portanto, é o próprio Deus falando aos homens de forma proposicional (Gl 1:11,12).
....................h. Para o registro e formação completa de Sua Revelação, Deus se valeu de muitos meios no passado (sonhos, extases, visões, profecias, Urin e Tumin, etc.). Estes meios, na mente de Deus, não tinham um fim em si mesmo; antes, sim, eram canais através dos quais ele tencionava trazer a Sua Revelação Escrita, a Bíblia.
....................i. Ora, sendo os sonhos, visões, profecias, Urin e Tumin, etc., os meios da divina providência para trazer a Palavra Escrita, segue-se, portanto, que, tendo toda a Bíblia sido escrita, estes meios revelacionais se tornaram obsoletos por já terem cumprido o papel para o qual haviam sido dados (Co 13:8-13).
....................j. Hoje, Deus não mais se revela através de sonhos, visões, anjos ou dom de línguas (I Co 13:)8-12). Sua Palavra escrita (a BÍLIA) é o meio por excelência através do qual o Espírito Santo tem falado aos corações, orientando, convertendo, consolando e edificando (II Tm 3:16).
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(Parágrafo 2) “A autoridade da Escrituras sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu Autor; tem, portanto, de ser recebida porque é a Palavra de Deus”.

Neste segundo parágrafo, de nossa confissão de fé, aprendemos pelo menos cinco verdades que devem dirigir nossa vida espiritual.

A primeira é que a Escritura tem sua origem em Deus. Ele é o Autor de todos os livros que compõe a Bíblia. O apóstolo Paulo nos diz que “toda Escritura é inspirada por Deus” (II Tm 3:16) e Pedro afirma que “nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação [...] entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (II Pe 1:20,21). Ler a Bíblia é ouvir o próprio Deus falando aos nossos corações. Embora tendo sido escrita por vários homens, a Bíblia, em sua elaboração, foi supervisionada pelo Espírito Santo de tal sorte que nela encontramos tudo quando necessitamos para conhecer a Deus e sermos salvos.

A segunda verdade diz que, se Deus é o Autor da Bíblia, então, segue-se disso, que ela tem autoridade sobre todos os seres humanos. Ela tem dignidade para julgar todas as coisas, porém, ela não pode ser julgada pelos homens, pois ela é a real e verdadeira Palavra de Deus escrita. Esta verdade que liga a origem divina das Escrituras e sua autoridade sobre os homens, nós a encontramos no texto de II Tm 3:14-17 quando Paulo ordena Timóteo a permanecer na prática das Escrituras e, depois, o mesmo apóstolo, afirma que as Escrituras eram dignas serem postas em prática porque eram inspiradas por Deus.

Em terceiro lugar, aprendemos que tudo quanto nela está escrito deve ser matéria de nossa fé, ou seja, devemos crer em todos os seus ensinos e em todos os seus registros históricos; pois, sendo a Palavra de Deus, as Escrituras não podem falhar (Jo 10:35), ou conter erros e contradições. O Apóstolo João, no final de seu Evangelho, expõe claramente que tudo quanto ele havia escrito, até aquele momento, tinha como objetivo que seus leitores pudessem crer, alcançar a fé em Cristo, e, por fim, serem salvos (Jo 20:30,31). É verdade que na Bíblia existem doutrinas profundas que escapam ao nosso entendimento ou a qualquer comparação humana que possamos utilizar para melhor compreende-las; entretanto, mesmo quando não entendemos todos os assuntos bíblicos somos chamados por Deus a crermos e termos profunda reverência por cada uma delas.

A quarta verdade é que a autoridade das Escrituras não depende dos homens. Ou seja, o ser humano não tem o poder, nem autoridade para conferir à Bíblia o selo de autenticidade, como se dependesse dos homens a tarefa de atribuir às Escrituras o atributo de “divinamente inspirada”. Mesmo que toda a humanidade chegasse a uma apostasia tal que ninguém cresse na Bíblia como Palavra de Deus inerrante e autoritativa; ela continuaria sendo a verdadeira palavra de Deus, mesmo diante da incredulidade humana. E, no tempo determinado pelo próprio Deus, esta mesma Palavra divina convenceria os pecadores de sua origem divina e os converteria. Em Atos 16:14 vemos Paulo pregando à Lídia, que só veio a atender as coisas que Paulo dizia quando o Senhor lhe abriu o coração para tal. Paulo não tinha poder, nele mesmo, de fazer com que Lídia aceitasse suas palavras como sendo da parte de Deus.

A quinta verdade diz que, nem mesmo o mais competente grupo de teólogos, reunidos em concílio, tem o poder de atribuir à Bíblia a sua autoridade divina. Aos concílios cabe, tão somente, a constatação da inspiração, veracidade, perfeição e autenticidade da Bíblia como Palavra fidedigna de Deus aos homens. Ou seja, não é a instituição igreja que detém o poder de autenticar os livros inspirados, muito pelo contrário; tudo que a igreja é depende das Escrituras e delas tira seu significado e missão.

Por fim, a sexta verdade nos ensina que somente o Espírito santo tem poder de conduzir o pecador à fé que a Bíblia é a Palavra de Deus. Sem esta ação prévia do Espírito, o homem toma a Bíblia em suas mãos apenas como um livro religioso comum; mas não a trata como uma obra divina e autoritativa para seu sistema de fé e vida diário. Paulo, em sua primeira epístola aos coríntios, nos diz que as coisas espirituais só se discernem espiritualmente (I Co 2:12-14) e, em sua segunda epístola, que somente quando o Espírito Santo age no coração e mente do pecador é que ele é livre para poder entender o Evangelho de Cristo (II Co 3:12-18).

Portanto, meus amados, quando um presbiteriano afirma que “a Bíblia é a Palavra de Deus”, ele assim procede pois entende tanto a origem infalível e divina das Escrituras, como também considera que esta Palavra tem autoridade suprema tanto sobre seu sistema de crenças e doutrinas, como também sobre sua ética e moral vivenciadas no seio da igreja e na sociedade.

E, se é assim que nossa confissão de fé afirma (sustentada em textos da própria Palavra de Deus), então devemos, diante de Deus, nos esforçar por vivermos de acordo com os ditames deste parágrafo, pois assim fazendo estaremos não somente sendo confessionais, mas também, estaremos obedecendo ao próprio Deus, quando Ele nos exorta a acolhermos as palavras apostólicas como sendo as suas próprias palavras (I Ts 1:6; 2:13).

Diante do que foi exposto, irmãos, continuemos firmes em nosso confissão de fé e ratifiquemos em nosso coração que, de fato, somente a Bíblia é a Palavra de Deus e nossa única regra de fé e prática. Só a Deus Glória!!!